A Evolução do Comprovante de Entrega - Do Físico ao Digital - Por Renilton Krupp Prauchner
- renilton907
- 10 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de out. de 2025

Crédito da Imagem: Imagem Gerada por Inteligência Artificial (Gemini)
Introdução:
Durante décadas, o comprovante de entrega em papel — aquele canhoto assinado pelo recebedor e depois devolvido ao embarcador — foi um dos pilares da operação logística no Brasil. O processo era: o motorista entregava a mercadoria, o cliente assinava o documento, e o papel voltava para o embarcador como prova da entrega.
💡 Alerta de spoiler: muitas empresas ainda fazem exatamente isso.
Mas o cenário tem mudado. Com novas opções em termos de tecnologia, a pressão por eficiência operacional e a digitalização crescente das cadeias logísticas, esse modelo tradicional começou a revelar suas limitações. A necessidade de comprovação rápida, segura e juridicamente válida abriu espaço para uma necessária mudança no setor: o comprovante de entrega digital.
Neste artigo, o foco é trazer uma visão didática e prática sobre as limitações do processo manual e as oportunidades que o digital oferece.
1. Por que o papel está ficando para trás
Imagine que após a entrega realizada, o motorista vá até o correio, poste o comprovante (lhe envia a comprovação da postagem também no Whatsapp), o correio (ou serviço similar) entrega este comprovante na portaria da empresa, o pessoal da portaria por sua vez entrega o envelope na logística, que vai conferir um-a-um, digitalizar, anexar no sistema, depois enviar ao setor do arquivo geral para uma pessoa faça o arquivamento físico. Este fluxo também foi representado através da imagem a seguir.

Imagem: Representa um fluxo nada incomum em diversas empresas embarcadoras
Mas e o custo para enviar este comprovante pelo correio? e se esse comprovante for extraviado? Isto para se citar os mais óbvios problemas desta abordagem.
Apesar de sua tradição, o modelo físico apresenta desafios que se tornaram cada vez mais difíceis de ignorar. Entre eles:
Custos operacionais altos: impressão, armazenamento, transporte e digitalização dos canhotos geram despesas constantes.
Risco de perda ou dano: um canhoto molhado, rasgado ou extraviado pode comprometer o recebimento de valores e causar disputas contratuais.
Demora na comprovação: muitas vezes, o documento leva dias para voltar à base e ser anexado ao sistema (Muitas vezes, sequer é anexado), atrasando processos de faturamento e auditoria.
Impacto ambiental: em um mundo cada vez mais voltado à sustentabilidade, manter um fluxo de papel não faz mais sentido.
Esses problemas se tornam exponenciais conforme o volume de entregas cresce. Uma empresa que realiza 100 viagens por dia, com 3 entregas cada, por exemplo, lida com mais de 6.000 comprovantes por mês — todos exigindo manuseio, digitalização e arquivamento físico.
2. A virada digital: como funciona o comprovante eletrônico
O comprovante de entrega digital, substitui o papel por uma prova eletrônica da entrega, que pode incluir a depender do sistema e camadas de tecnologia adotadas:
Assinatura digitalizada do recebedor;
Registro de data, hora e geolocalização;
Integridade digital: hash e o blockchain como forma de garantia de unicidade;
Fotos do local ou do produto entregue;
Armazenamento em nuvem, alta disponibilidade, facilidade de localização;
Integração aos sistemas do embarcador.
Com isso, a confirmação é imediata, segura e totalmente rastreável. Além disso, a integração com ERPs e TMSs permite automatizar etapas como faturamento, auditoria e liberação de pagamento ao motorista.
3. O impacto financeiro: quanto se economiza ao digitalizar?
Infinitamente mais barato, o comprovante digital reduz a despesa de forma impactante.
E isso sem contar as economias indiretas com redução de erros, ganho de produtividade, menor tempo de cobrança e eliminação de espaço físico para armazenar documentos.
4. Mas se é tão vantajoso, por que ainda há resistência?
Mesmo com tantos benefícios, muitas empresas ainda mantêm o modelo físico — e há razões culturais e jurídicas para isso.
Costume operacional: Operadores ainda habituados ao canhoto físico como prova “tangível”.
Insegurança jurídica: gestores ainda têm dúvidas sobre a validade legal do comprovante digital.
Falta de padronização: apesar dos avanços, o setor ainda carece de divulgação sobre normas técnicas afim de tornar o assunto amplamente conhecido e difundido.
Integração tecnológica: empresas menores, ou com sistemas legados, enfrentam barreiras para adotar soluções digitais integradas.
5. O futuro da entrega é digital — e já começou
A digitalização dos comprovantes de entrega não é uma tendência distante — é uma realidade que já em uso em centenas de empresas, e está transformando as operações logísticas. Grandes embarcadores, transportadoras e operadores logísticos vêm adotando soluções eletrônicas que garantem agilidade, transparência e rastreabilidade total.
Quem adota cedo ganha vantagem competitiva: consegue reduzir custos, acelerar o ciclo financeiro e oferecer mais visibilidade para o cliente final.
As empresas que insistirem apenas no modelo físico podem se ver, em poucos anos, com processos obsoletos, lentos e caros — um risco que nenhuma operação moderna pode ignorar.
Fique ligado. O futuro da logística é digital — e está mais próximo do que parece.




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